Me corrijam se estou errado. Mas nunca na história tricolor, o Grêmio havia priorizado o Campeonato Gaúcho em detrimento a Libertadores. Então, diante desse fato inédito, foram poucos os gremistas que não ficaram cabreiros ao saber que apenas dois titulares iriam enfrentar o Guaraní no Defensores del Chaco. Ao final, o resultado foi o esperado, mas a confirmação do planejamento bem sucedido só virá no domingo.

Eu cheguei a questionar antes da partida no meu Twitter:

Com a bola rolando, pode-se perceber logo de cara que alguns temores iriam se confirmar. O primeiro deles, obviamente, era de que Bressan iria falhar e comprometer o sistema defensivo; e não demorou cinco minutos para isso ocorrer. Depois era esperado que o entrosamento não fosse lá essas coisas e isso ficou evidente na movimentação do lado direito da equipe, principalmente na recomposição defensiva para as subidas de Edílson.

Apesar disso tudo, é preciso exaltar que o 4-2-3-1 reserva de Renato Portaluppi funcionou bem e não fosse a falta de pontaria de Barrios e Lincoln o Grêmio sairia do primeiro tempo com o placar positivo. Aliás, o técnico gremista percebeu bem as características dos jogadores para compor o meio-ataque tricolor: Fernandinho ok, todos nós sabemos que jogando pela direita como ponta (perna-invertida) a equipe ganha em velocidade, drible e finalização. Mas Arthur na frente dos voltante, centralizado e comandando a transição defesa-ataque; mais Lincoln na esquerda para triangular com Bruno Cortês e dar amplitude ao ataque foram duas importantes modificações táticas de Renato que potencializaram a capacidade técnica dos guris.

Nesse contexto, surpreendeu a imposição tática do Grêmio em alguns momentos. Só que claro, era jogo de Libertadores e todos nós sabemos que erros nessa competição custam caro. As chances de gol desperdiçadas iria ser paga com um gol de falha defensiva. Menos mau, que era Marcelo Grohe em baixo da meta tricolor. Ele deveria ser canonizado de tantos milagres operados no Paraguai frutos em sua maioria de pecados defensivos. Imaginem: apenas um titular foi “suficiente” para levar a defesa nas costas e previnir o Grêmio de tomar uma goleada.

E quando tudo parecia perdido (Michel expulso e um gol em desvantagem) foi outro titular que foi decisivo no ataque. Pedro Rocha entrou para empatar a partida e salvar o planejamento estratégico da comissão técnica e diretoria tricolor. Sorte? Talvez. Prefiro pensar que Renato tem estrela por conhecer o métier da bola. Pedro Rocha foi o único titular escolhido para ficar no banco de reservas e ao entrar ele foi decisivo. Falando nisso é impressionante a auto-confiança dele, pois qualquer outro guri já teria sucumbido as críticas. Essa é uma virtude dele e sabiamente Portaluppi está lapidando o garoto.

Sim, Pedro Rocha ainda “desperdiçou” uma grande chance no final da partida que poderia decretar a vitória tricolor e também um inflado “eu sei o que estou fazendo” de Renato para os críticos. De qualquer forma, a vitória seria algo fora do planejamento. A entrada dos reservas foi um indicativo de que o empate era o esperado esperado para o Grêmio voltar para Porto Alegre líder do grupo e, além disso, ter os titulares descansados para a decisão contra o Novo Hamburgo.

O “medo” de ver os reservas na Libertadores foi suprimido pela competência dos titulares. Falta agora essa página histórica do Grêmio na competição ter um final feliz no domingo. Quem sabe com os titulares em campo para Gauchão não serão os reservas que farão a diferença? É por isso que no futebol é o resultado que define um “planejamento” de sucesso.