Renato tinha (mais uma vez) razão. O Gre-Nal 413 era só mais um jogo de três pontos para a classificação gremista no certame regional. Foi com esse pensamento que o Grêmio entrou em campo. E assim saiu com o resultado necessário.

Eu entendo que é complicado para alguns “analistas” falarem abertamente do abismo entre as duas equipes. Porém, hoje, qualquer tentativa de equiparar o Grêmio ao Internacional é uma falta de entendimento do que representa a alcunha de “Donos da América”.

O choque de realidade para os “colorados” aconteceu ao final do primeiro tempo. Ali, quando o árbitro encerrou a primeira etapa, podíamos ouvir suspiros de alívio em meio a rostos vermelhos transtornados. A festa azul era o “fantasma” dos 5×0 assombrando mais uma vez Odair Hellmann.

“É nos grandes jogos que aparecem os grandes jogadores”, disse Portaluppi na coletiva de sexta-feira e antes da bola rolar. Um “mantra” que o atual Camisa 7 gremista incorporou novamente. Luan mostrou-se decisivo, fez dois gols e calou um Beira-Rio que teimava em vaiar o Rei da América.

Os primeiros 45 minutos também serviu para desconstruir uma lenda urbana chamada “Klaus e Cuesta, a melhor linha de zaga entre um argentino e um brasileiro na história nacional”. E não foi a solidez de Kannemann ou a classe de Geromel que derrubaram essa tese caça-cliques. Foi Éverton, que em uma arrancada, não tomou conhecimentos dessa “dupla da Série B” antes de sofrer pênalti.

A “aula” de futebol apresentada pelo tricolor se estendeu para a segunda etapa. A capacidade de suportar a “pressão” do adversário jogando em casa é mais uma virtude da única equipe brasileira que já levantou uma taça sul-americana em 2018, sem ter tido uma pré-temporada adequada.

Engana-se quem pensa que foi uma partida onde cada time “ganhou” uma etapa.

O Grêmio sofreu um gol de falha defensiva na bola aérea e depois o que se viu foi um festival de finalizações erradas e bolas alçadas na área tricolor. O “sufoco” do Internacional serviu apenas para o seu torcedor aplaudir uma equipe que se esforçou (muito) para não acontecer um outro vexame.

Vamos deixar uma coisa bem clara: o Grêmio ainda precisa evoluir nessa temporada e o Gauchão não é uma prioridade. Porém quando foi preciso, o tricolor fez quatro vitórias seguidas e classificou-se com o melhor ataque do campeonato.

O Grêmio foi pragmático e jogou sabendo que seus atletas ainda não estão em condições físicas e técnico-tática ideais. Mas na hora do “vamos ver”, o DNA vencedor desses jogadores aflora.

Agora, nas quartas de final do Gauchão, será mais uma oportunidade para Renato “treinar” a equipe tricolor para as grandes competições do ano.